segunda-feira, 27 de maio de 2013

Milhares de elementos químicos com actividade fisiológica têm sido identificados em plantas e, sem dúvida, muitos outros estão por descobrir. É interessante que muitas das plantas receitadas em diferentes tradições, para tratar determinadas afecções, partilham grupos similares de componentes activos. Algumas das classes mais importantes de fitoquímicos são: Alcalóides - compostos poderosos com efeitos fisiológicos muito fortes, pelo que as plantas que os contêm tendem a ser usadas em pequenas doses, ou mesmo evitadas. Os alcalóides podem afectar o sistema nervoso central e alguns bem conhecidos incluem morfina e a codeína da papoila-do-ópio, depressores do sistema nervoso central, e a cafeína do café, estimulante do mesmo. Antraquinonas – grupo de compostos com forte acção laxativa. São encontrados em plantas como o sene e o ruibarbo, estimulam os movimentos peristálticos do cólon e desencadeiam a evacuação horas depois. Estes efeitos são aumentados se as plantas forem tomadas em grandes doses, e o seu uso excessivo pode causar diarreia e perda de electrólitos importantes. As plantas que contêm antraquinonas só devem ser usadas ocasionalmente e apenas nas doses recomendadas, dado que a utilização excessiva de plantas purgantes pode desregular o funcionamento do intestino. Princípios Amargos – são substâncias que estimulam os receptores gustativos na parte de trás da língua. Pensa-se que isto desencadeie uma resposta reflexa no nervo vagal, que, por seu turno, estimula a produção de várias secreções gástricas. As plantas amargas têm um longo historial quanto à estimulação da função digestiva e, em muitos sistemas tradicionais, são tomadas como tónicos do estômago, fígado, vesícula biliar e pâncreas. Com o seu sabor extremamente amargo, a genciana é dos tónicos amargos mais fortes. Óleos Essenciais – largamente responsáveis pelo aroma de plantas como a alfazema e a hortelã-pimenta, são muitas vezes usados como constituintes de remédios naturais. Podem também ser extraídos de plantas por processos que concentram o óleo essencial, tornando-o mais forte e possibilitando a sua utilização em aromaterapia, perfumes e produtos alimentares. Comummente, possuem acções antiespasmódicas e antimicrobianas, e também foram já documentados efeitos mentais e emocionais no seu uso. Flavonóides – extensa classe de compostos de efeitos benéficos encontrados em muitas plantas e ervas alimentares. Têm propriedades antioxidantes e uma forte afinidade com os vasos sanguíneos. De entre as suas muitas acções, os flavonóides reforçam e mantêm a integridade dos capilares, estimulam a circulação nas áreas periféricas do organismo e protegem as moléculas de colesterol de processos oxidantes prejudiciais. Grupos específicos são responsáveis pelos efeitos medicinais do gingko, do espinheiro e da castanha-da-Índia, entre outros. Glucosinolatos – compostos de enxofre, que são convertidos pelo organismo em substâncias chamadas isotiocianatos. Os glucosinolatos das armorácias e das chagas resultam nas propriedades anti-infecciosas e fluidificantes da expectoração destas plantas, enquanto os dos legumes como a couve, os brócolos e as couves-de-bruxelas podem ajudar à prevenção do cancro. Mucilagem – tipo de fibra que liga com a água para formar uma geleia não-digerível. As plantas ricas em mucilagem como a tanchagem, apresentam inúmeras vantagens para o aparelho digestivo, incluindo a capacidade e estimular a função intestinal e promover a remoção do colesterol do organismo. Outras plantas com alto teor de mucilagem, como a alteia, são predominantemente usadas pelo seu efeito tópico calmante sobre as mucosas inflamadas. Fito estrogénios – componentes de plantas com actividade semelhante à dos estrogénios. As duas classes principais são as isoflavonas, que se encontram no trevo-dos-prados e na soja, e as lignanos, encontradas na linhaça e em alguns cereais. Muitas são tradições de medicina natural em que as plantas com fito estrogénios são usadas no tratamento de problemas reprodutivos femininos. Além disso, o seu consumo tem sido associado a uma série de efeitos protectores da saúde, incluindo uma possível redução do risco de cancro da mama. Por outro lado, a sua utilização em doses excessiva e considerada controversa por algumas autoridades. Taninos – interagem com as proteínas com as quais entram em contacto, tornando o tecido mais resistente e menos permeável (são usados na curtição de peles de animais). Estes efeitos adstringentes são aproveitados na medicina natural para contrair as membranas mucosas e torna-las menos permeáveis a organismos infecciosos e também para reduzir a diarreia, as hemorragias e outras secreções excessivas. O chá é a planta rica em taninos de maior uso mundial